quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Eu precisei de tempo



Eu precisei de tempo para enxergar com maior clareza a estrada à frente e criar um laço inquebrável. Fortalecer minha murada.

Eu precisei de muita calma para construir esse elo invisível.

Eu precisei de tempo para entender que chega uma hora que temos que deixar que se vão aquelas coisas que te machucam, que algumas vezes temos que abrir mão de coisas que amamos para que na frente venham outras melhores.E precisei de muito, muito tempo pra isso. (e muitas lágrimas)

Eu precisei de tempo para entender que todos somos decepcionantes, que tudo mundo vai me magoar um dia, mas as que realmente valem a pena eu saberei aceitar numa boa.

Eu precisei de tempo para entender: 'o amor vence tudo' e de mais tempo ainda para entender que não preciso entender, apenas continuar a amar.

Eu precisei de tempo para entender que o choro é necessário, que liberar lágrimas é um anestésico temporário, é um desabafo silencioso.

Eu precisei de tempo para perceber que nem tudo é lindo, nem tudo é amor, nem tudo é concreto. Nem todos são corretos, nem todos se importam. Precisei ainda de mais tempo para saber que não se deve entender ninguém, mas sim, apenas compreender, que devo olhar as pessoas como um todo.

Eu precisei de tempo para perceber que mesmo que não me retribuam um sorriso, eu devo continuar a sorrir, que mesmo que eu me esgote no meio da luta, eu não devo parar de lutar, e mesmo que eu fique sem arma, eu ainda tenho meus argumentos. E que quando tudo da errado, é ai que não devo parar de ter fé.

Eu precisei de tempo para saber que a real força vem de mim, vem de dentro. Que eu me basto, só preciso de mim mesmo para ser feliz, se eu me tiver... eu terei tudo, e a partir dai eu invisto nos outros, porque também levei tempo para entender que viver sozinha é viver triste.

Eu precisei de tempo para reparar que todas as pessoas valem a pena, mas basta-me achar quem vale a pena, pra mim. Por quem vale lutar.

Eu precisei de tempo para ver que haverá sempre um amanhã. Que mesmo que fechem teus caminhos, sempre existem os atalhos, mesmo que não te deixem falar, ainda existem os gritos. E mesmo que você sangre por dentro ainda existe um abraço.

Eu vou embora e se quiser me achar, nas nuvens poderá encontrar quem sabe algum rastro meu.

Porque eu queria que você fosse tão completa como eu fui quando estava contigo. E eu sigo assim, acreditando que no fim tudo vai dar certo.

Porque eu precisei amar pra entender a maior dor que se pode sentir.

Saudades de um começo, para ser quem sou.
(Porque eu não precisei de tempo para perceber a falta que faz, você. Oceano de ar)


Raíssa Noronha

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

One day

"Ouça, eu juro que tentei de todas as formas sorrir daquele jeito novamente, sabe aquele que transpassava algum tipo de alegria, que talvez leve alguma luz, que você elogiava vezenquando, quando ainda nos víamos. (e eu ainda tento lembrar a sensação que era ao ver que seus olhos olhavam fundo nos meus). Eu sei que nunca precisei de nada concreto para abrir um sorriso, sorria até com o balanço dos galhos, o caírem das folhas. Parecia-me tão belo e bobo, mas é que quando você foi embora eu perdi total discernimento, total prazer sobre as coisas boas. Não, não é exatamente uma questão de prazer e desprazer é sentir, é o vazio e a falta. Eu to tentando lhe dar de uma forma nova, mudando o enfoque e a maneira como vivencio os aspectos da vida, buscando a tal totalidade do meu ser, expandindo fronteiras, valores, mudanças. Eu sei que deveria seguir em frente agora, mas... É eu também sei que não era pra afetar-me de tal modo, mas afetou. Sim! Você me afetou duma forma inimaginável, sei que parte disso tudo é culpa minha que deixei a porta aberta e a sala vazia, mas não pensei que arrombaria todas as outras salas e ali construiria teu canto, que eu fortifiquei. E naquela imensidão cobri com a maior murada, para nunca deixar-lhe morrer, ou sofrer algum risco. E é por isso que matar-lhe agora não é possível, não é e nunca foi minha vontade. E desculpa por nunca agradecer por ter tatuado em cada parede, cada veia do meu coração um jardim de coisas incognoscíveis. É, eu sei que não entende bem o que tento explicar, ta confuso demais, mas basta entender que tudo que doei foi tudo o que tive, tudo o que construi . E que cada palavra, cada sorriso, olhar, toque... foi o mais sincero possível, que te amei duma forma assustadora, mas juro que foi verdadeiro, foi humilde, foi fiel entende ?! É que nunca fui muito a favor nessa valorização dos sentimentos restritos apenas a compreensões racionais. Porque se o que sinto fosse totalmente racional eu não agiria de forma tão contraditória.

Ouça, talvez essa distância toda pareça ser boa de um ponto de vista, mas a cada segundo passado abre uma ferida, uma saudade imensurável. Se eu pudesse encurtar cada pedaço de asfalto com as mãos, só para senti-la mais perto eu não cogitaria em nenhum momento, mas eu não sou isso tudo, então conto com as linhas telefônicas só para que do outro lado eu possa ouvir sua voz e sorrir novamente. Desculpa se eu não tenho forças para tirar isso de mim, é que é tão belo, me faz tão bem e já faz parte disso aqui, já vive em mim, e se eu matasse talvez matasse também as minhas tardes ensolaradas. Desculpa por não colorir mais os meus dias, é que você esqueceu-se de devolver o giz de cera e me restou apenas uma lapiseira velha (que acabei com cada pedaço de grafite lhe escrevendo esta carta). Mas eu estou apenas tentando buscar o equilíbrio entre mim e o que sinto por você. E amor, quando sair, por favor, não apague a luz. Não quero que se perca caso um dia resolva me fazer uma visita."


Raíssa Noronha

sábado, 26 de setembro de 2009

Seus olhos nos meus

Eu poderia viver abrindo estradas por entre corações, tatuando borboletas amarelas.
Assim, abrindo lacunas por entre
os vazios, colorindo versos sobre
telhas redondas e um escapismo irreversível.
Achando tons num violão desafinado pelo tempo que ficou só.
Como uma pedra
no deserto. Como um eixo inexato.
Como o silêncio da noite sobre a luz da lua.
Sua sombra preenche a saudade, como o escuro toma conta do claro,
e o
vazio nada inócuo que sinto, numa tempestade de olhares.
Mas o vazio não é apenas a
falta, é a saudade de um sorriso contra-pondo com o toque,
vestido de sentimentos,
é costurar lembranças por entre abraços,
alargando esquinas e tecendo amores - é apenas seus olhos nos meus.



Raíssa Noronha

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sobre o desabafo




O ruim de coisas profundas
é que elas são tiradas tão de dentro,
que quando realmente saem, gritam socorro em forma de versos.

.

Porque ninguém jamais entendeu
o signficado de um silêncio.
de uma lágrima. ninguém te encherga por dentro.


.

Se eu gritar, simplesmente saia de perto,
não quero vitimas em meus tremores


.

Liberar algumas lágrimas para colher alguns sol-risos

.


Raíssa Noronha

domingo, 6 de setembro de 2009

Uma carta


"Difícil ir construindo um novo começo a partir de cacos jogados. Novamente entre as quatro paredes de meu quarto, estão jogadas várias cartas de um passado recente. São pequenas lembranças, ou apenas aquele toque pra relembrar de algo que marcou. É como se colocássemos um objeto importante numa caixinha, e 10 anos depois abríssemos, e com algo tão pequeno lembraríamos-nos de anos de acontecimentos e reviveríamos momentaneamente sentimentos passados. Vi ali chamando atenção uma menorzinha, tão frágil, pequena e cheia de carinho, uma carta escrita num papel de caderno, com adesivo carinhoso, é, tudo indicava um amor ali. Não tinha assinatura por fora. Mas nem precisa, lembrava de cada carta, cada presente que ganhei.

-- Eu tinha razão, essa carta é uma das marcantes, foi como uma tatuagem feita de sussurros, gravada em minha memória para que jamais esqueça daquilo já vivido. Nunca me esqueci de cada palavra, cada vírgula, cada entonação nela escrita.

É como se me dessem uma injeção de adrenalina e meu coração acelerasse, e na cabeça de uma futura psicóloga, volta a sondar a intensidade do emocional, não queria ser controlada por emoções. Já era tarde pois meu coração já estava a mais de mil. Segurando um sorriso que ainda não inventaram palavra que o descreva, aquele tal sorriso de quando lemos algo que nos lembra coisas boas, nos tira as melhores lembranças e nos regam de saudade, e nessa saudade florescemos, às vezes lágrimas nos fogem, mas creio eu, essas podem sair.

Levantei-me devagar da cama, fui em direção a cozinha, precisava de um copo d’água, às vezes, quase todas elas, lembranças são tão pesadas, e fixas que ficam conosco pela eternidade. Nesse dia tão quente, minha sede parece insaciável, bebo mais um copo. Volto pro meu mundo. Ao lado da cama meu livro de cabeceira: Flores de dentro(Marla de Queiroz), e ao lado uma foto, eu bem que queria que fosse uma foto dela, mas hoje não faria sentido. Tinha ali a foto de um dos momentos mais marcantes entre esses 18 anos de vida, que fala mais que mil cartas, e nela escrevi uma frase com caneta preta: “Saudade é a maior prova de que o passado valeu à pena” juro que não lembro aonde li, de quem é, mas nunca me saiu da cabeça. Ao mesmo tempo lembrava de um conto que li a algumas horas atrás, dizia assim: “Não se pode viver para sempre com determinadas fotografias, mesmo que estas sejam muito bonitas, nunca deixarão de ser pedaços de papel do passado.( Rosangela Aliberti). Não sei bem se concordo, não devemos viver de passado, mas ele faz parte, e lembrar de coisas boas porem passadas também é bom, lembrar de experiências, vivencias e tudo que passamos, tudo que aconteceu no passado eu digo que é como se fossem tijolos, você usa pra construir um futuro mais forte, melhor. Voltei a abrir as cartas, cada riso solto. Mas essa pequena carta... carta é a forma tímida de gritar algo que não consegue. Na maioria das vezes é sincera, quem perderia tempo escrevendo algo de uma forma antiga, tradicional, romântica, para mentir?! Não faz sentido, mas ainda acalmando meu coração ainda acelerado, analiso a letra, tão pequena, tão linda e redonda. De quem é? Do inesperado, quando alguém é tão igual, ao mesmo tempo tão diferente, é tão oposto, mas parece tão perfeito, tão lindo, mas tão exagerado, realmente aquilo que chega assim do nada, invade tudo, sem nenhuma explicação, e te faz perder os sentidos e se perder num negócio chamado: sentimento, ou melhor, AMOR. Sim achei aqui uma cartinha da primeira pessoa que amei de verdade, seila, meu primeiro amor foi aos 17, lembro do turbilhão que estava minha cabeça. Era mais fácil tal envolvimento com apenas um simples carinho, mas ao sentir realmente o poder dessa palavra tão nobre, foi difícil não ficar com medo, algumas horas me afastei, outras arrisquei, como todo mundo, sofri. Difícil depois de um tempo reencontrar, e sentir a vontade de sentir aquilo tudo outra vez, e se abalar, novamente, tão diferente, mas tão igual, tão oposto mas tão...tão perfeito. Ela é assim. É a saudade que carregou tudo junto, tanto amor, tanta falta...Misturada."


Raíssa Noronha

domingo, 30 de agosto de 2009

caminho

Eu acordei assim, vestindo meu melhor sorriso mesmo com todos os pesares da vida, eu estou sem medo, todo esse amadurecimento obrigatório de minhas ultimas experiencias serviu-me pra acomodar meu coração num canto, seguro. Mesmo com essa saudade ancorada, acho que encontrei o caminho certo, em que a estrada não tem mais desvios, talvez encontre alguns retornos, mas eu sei que agora é só seguir em frente. (Haverá sempre um amanhã).



Raíssa Noronha

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Me ouça

Há tempos não tenha sido a mesma,
mas apesar de qualquer coisa, tenho vivido de carências e buscas...
mas muitas vezes, as vezes todas elas, me encontro perdida, palavras escondem-se
e eu aceito esse silencio, pra que quando eu acha-las
elas venham repletas de respostas, sorrisos e sinceridade
(que me tragam um coração tranquilo e pulsante)
Há tempos tento viver em paz, vivendo na busca
do viver intensamente, respeitosamente.
às vezes não vivo por mim, às vezes me calo quando
preciso gritar, mas é que tenho que saber a hora de me revelar
tenho que saber a minha hora. Porque diante de tantos abismos, tantas lágrimas,
caminhos cruzados, tantas tempestades... só preciso
esperar meu tempo, pra seguir sem maiores erros, sem precipitações,
às vezes é preciso um maior recolhimento, um silêncio ainda mais profundo.
Muitas vezes ouço em minha respiração a resposta mais sábia.
ou a pergunta mais apropriada. mas sim eu sei muito do que eu quero agora...
mas principalmente eu quero não viver de taquicardia
em momentos de desespero.Quero começar a arriscar
mais, tentar mais, crescer mais, e de alguma forma achar o que escondeu-se
de mim... aquela alegria boba. Continuar construindo uma fortaleza
e buscando tranquilidade... buscar ser feliz é só o que eu quero. Pensar mais em mim.
Deixa que eu pinte neste quadro branco e o transforme na mais bela obra, carregada
com todas as consequencias(boas ou ruins). No nosso quadro branco.
Só quero a minha paz de volta.
Só quero quem eu amo o mais próximo possivel.
Só quero querer mais.
e você sempre perto de mim



Raíssa Noronha

domingo, 26 de julho de 2009

Essa música parece-me vaga, transcorrida de pura dor, quem sabe, não encobre os gritos, eles também não podem ser ouvidos, então acho que nada por ser ouvido. A uma altura dessas minha cabeça já virou 360º, e a noite acobertada pelo choro de uma criança, pelas juras e amor de um nobre apaixonado, pelos gritos sufocantes dos pecadores. Vou escalando a montanha a diante, a diante, subindo... E lá quase no topo minha perna estremece e despenco. O que se passou na minha cabeça naquela hora brusca não sei bem. Foi um punhado de nada.


Raíssa Noronha

Eu gosto de acordar com a brisa leve

subjacente ao tocar meu rosto,

eu gosto do acordar inerte, suave

sob os lençóis brancos e finos

que cobrem meu corpo adormecido

gosto do calor, do afago.

gosto da crença, do crer na verdade

gosto do olhar de criança, inocente

e ingenuo

Eu que vejo o sol nascer e despreender-se

na ausência da escuridão.

talvez eu continue aqui a vagar por versos

a prosear para esquecer a dor

talvez eu apenas continue sonhando

para burlar o real

e talvez eu esconda meu olhar profundo

ou as lágrimas precisamente escondidas

talvez eu simplesmente silencie.

mas prefiro que não abafem meu grito

e talvez eu queira escrever nas paredes

com sangue o mais profundo verso

sobre a ilusão dos meus dias.



Raíssa Noronha

terça-feira, 26 de maio de 2009

Esse dia

Os raios solares que me tocam e queima minha pele, trazendo um calor anormal, não tão quente quanto o calor daquele abraço. A brisa que soa leve, inóspita, suave... E contigo o perfume, aquele perfume manso, doce. Não me sai da cabeça. Extasiada de frágeis emoções que encobriam-me de medo. Mãos trêmulas e respiração ofegante e momentos em que minutos tornam-se segundos. E a mesma e clara vontade: (de ficar para sempre). O mesmo e sincero sentimento: (de amar). Mas sempre, e sempre, e... Sempre. O mesmo medo: [perder-te.]

[e a esperança de dias melhores para todos]


Raíssa Noronha

sábado, 23 de maio de 2009


Não importa onde eu esteja

Nem com quem,

Não importa quanto tempo se passe

Nem se está sol ou chuva

Pode até ser o dia mais feio do ano

Não importa se o mundo está acabando

Nem se a lua não aparece mais

O que você construiu em mim é permanente

Fogo não destrói, machadadas também não

Não importa o que façam

O que falem

Isso aqui pra sempre

É teu espaço é só.


*

Raíssa Noronha

sábado, 16 de maio de 2009

Apenas fique.

Porque eu sempre acordo cansada,
pensativa
E tenho o poder de construir uma vida mas não sei usá-lo.
Porque você me habita hoje,
sempre.
e sinto dizer mas talvez seja eternamente.
E o que eu faço é por minha conta, construo minha (auto)biografia e nela coloco quem eu quiser,
ninguém me tem nas mãos,
eu sou minha e só.
Mas eu te peço, amor...apenas fique.

*
Raíssa Noronha

segunda-feira, 11 de maio de 2009

filme da minha vida














E eu que não suporto mais ver os noticiários, ver o mundo desabando ao meu redor, sentir a minha impotência diante desse fato, eu que sou apenas mais uma perdida, confusa... Às vezes da vontade de explodir tudo, pra ver tudo nascendo de um brotinho inocente, pra sair tudo diferente, às vezes penso em fazer isso com minha vida também. Quem sabe. É que eu cansei de viver nesse mundo paralelo. De ver filmes de romance chorando com a almofada,
de ficar desesperançosa, deprimida. É que agora vou dirigir meu próprio filme, e os protagonistas são a meu gosto, os que não me servem eu jogo fora, os mais importantes ficam na caixinha, mas você... Não existe lugar melhor que este aconchego no meu coração. (Difícil perceber, que este filme não é sobre mim, mais sobre eu quando estou com você).


Raíssa Noronha

domingo, 3 de maio de 2009

Grande achado

Certo dia, acordei coberta pela escuridão da noite e iluminada pela lua.

Procurei o caminho correto para seguir, olhei para o céu,

busquei estrelas

e foi assim que te encontrei.



Raíssa Noronha

sexta-feira, 1 de maio de 2009


O amanhã é este hoje arrastado,
Pelas tardes vazias.


[ quem sabe ]

Raíssa Noronha

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Um novo dia nascerá

Um dia você acorda e não enxerga nada da mesma forma, e às vezes
Se da conta de que o amanhã é tão diferente e parece que
Tudo que tinha em mente, tudo que construiu, afundou
E quando olha pra baixo se vê num precipício
Só que não existem dias sempre belos, nem manhãs sempre
Ensolaradas, nem mesmo alegrias eternas
Existem tardes tempestivas,
mas até mesmo
A pior tempestade cessa
Como tua tempestade cessará
Voltando pra casa, olhava pela janela do carro
A cidade que passava, as luzes que se apagavam
Minhas noites que sumiam rápido, tão rápido
Que nem reparei que minhas noites de sono não me bastavam
Que os pesadelos não paravam,
Que o sorriso que eu vestia todo dia, não me servia mais
Na real, não acho motivos concretos pra nada
Há um muro dentro de mim agora
mas quero que pegue este relicário
E guarde bem, pra lembrar sempre dos bons momentos
Como faço sempre que este vazio toma conta
Para que lhe roube uma risada boba
E se conseguir, farei o sol nascer radiante, tal como será
Seu sorriso...
(se quiser me ver sorrir, bastar sorrir pra mim também)
(se me quiser feliz, basta ser também)


Raíssa Noronha




quarta-feira, 22 de abril de 2009


Só porque eu respiro poesia, e respiro-te também, minha maior delas.



[você]
*
Raíssa Noronha
*


Um novo capítulo

Foto: Laura Rodrigues (laurinha =D )



"Posso ver a claridade além do sol, antes disso, nuvens se aconchegam juntas sem nenhum trovão. São delicados os ventos do outono.Caminho em direção à chuva que desabrocha adiante e entrego meu corpo às águas que o céu despeja em uníssono com meus derramamentos.Todas as minhas expectativas frustradas escoando pela terra.Tenho tudo que preciso e abro o peito e os braços e digo um SIM sonoro para o que meus olhos alcançam, o meu peito suporta e o mistério penetra.Eu me sinto em casa: tenho a imensidão do mar e horizontes inalcançáveis. E o que me faz caminhar é essa sucessão de desafios que não cessam, para que eu conheça meu poder de superação.Eu construo minhas estradas e meus navios.E depois os aprimoro.E para que navegue ébria ou caminhe resoluta numa linha torta, preciso estar forte feito rocha. Eu moro nos mirantes quando preciso montar a trajetória dos meus próximos mapas. E abraço cada sensação que tenho ao apontar com o dedo meu próximo lugar sem um provável endereço.E, em vez de cidades, encontro sentimentos_ países inteiros a serem explorados: Amor, Medo, Confiança, Insegurança, Solidão... Meu destino é a Sabedoria. Não procuro atalhos, sei que é longa a travessia.Estou virgem e confiante para que nada corrompa minha inocência, o que não significa ingenuidade. Não guardei memórias de dores ou desesperos passados. Eu me apeguei ao aprendizado. Eu me perdoei faz muito tempo. Sinto apenas que vivi as escolhas que fiz e não há erro nisso. Eu só tinha maturidade para experiências específicas e foram elas que me conduziram ao meu coração, a minha fonte criadora. Tenho tanta força em mim que não poderia guardá-la apenas para momentos adversos, tive que usá-la também na experimentação de um prazer exagerado, na minha sede pelo gozo absoluto.No meu trabalho interno pelo desapego foi quando descobri que sempre me faltou fome, mas me sobravam apetites. Agora já percebo quando ainda não é a hora do mergulho, mas a de me encharcar sobre as superfícies. Percebo quando não sou eu quem tem de penetrar a água, mas de deixar que ela escorra sobre mim. Aprendi a me oferecer mordomias emocionais como adiar decisões dolorosas e a de ter a disciplina de cumprir rigidamente meus prazos.Antes eu pensava que nunca havia tempo suficiente, hoje eu percebo que o melhor emprego do meu tempo é neste desvelar de mim mesma, nesta busca por uma orientação interior tão nítida que nada se misture à inquietude dos meus desejos. (Nem sempre se deseja o que é melhor) Não há mais lamentos, sou eu quem governa a minha vida e o meu tempo. Sou eu que escolho quem vai conviver comigo e participar da minha (auto)biografia, ser o foco da minha poesia ou desfrutar comigo apenas um breve e intenso momento.
(Posso ver com clareza além do sol...agora.)"



*
Marla de Queiroz



*


*





porque é assim que me sinto hoje, falou tudo...





e aqui mais uma fã da Marla de Queiroz





o blog dela: http://doidademarluquices.blogspot.com/

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Sensações


Quando eu acordar espero ver que o que temia já não existe mais, como se uma noite de sono fosse meu eterno sossego, espero tirar esse víeis carregados de insegurança e instabilidade emocional. Posso dizer que hoje sou tomada de medo, por que não me reconheço como antes. A partir do momento em que um estranho arrebenta nossas entranhas e sem permissão toma conta de todo nosso ser então já perdemos todo controle, e quando fica intenso, e quando está perfeito parece que é extremamente limitado...você tem duas semanas, dois meses, alguns anos... Mas vai acabar... E hoje eu acordei meio assim, chapada quem sabe. Não tão lúcida levada por alguns goles de álcool que já não me são mais úteis, mas que me levaram a refletir tudo que esta aqui, nesta alma perdida. Dessas sensações múltiplas e variadas que vem como um furacão indomável, perdido e furioso. Ah sensações! Abri o dicionário ou qualquer fonte de informação, certas coisas não têm explicação, me diga você, o que é um arrepio de saudade? É um simples ato fisiológico? Não, pra mim é bem mais, é uma insustentável emoção, incabível no teu interior que pede para ser mandada para fora devido à sua intensidade, quem sabe... não talvez ainda esteja clara suficiente...palavras não seriam suficientes, na verdade nunca são. Como explicar que contigo até meu assobio fica mais doce, das borboletas no estômago que sinto quando te vejo. Só sinto que palavras me limitam, se elas expressassem tudo realmente como é, talvez assim tivesse noção dessa imensidão de amor que existe aqui. Essa melodia, essa música que traz momentos únicos à cabeça quando toca... Faz-me flutuar numa exarcebada nuvem de alegria.
Só espero que isso não acabe... Não tão cedo.
(Às vezes penso: foi você que me ensinou a viver? Ou foi pelo teu amor que dei valor à vida?).



*
*

Raíssa Noronha


*


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sempre

A cada troca de palavras, a cada expressão feita. Enquanto eu te imagino, enquanto eu te espero ansiosamente. Teu sorriso é um refúgio e tuas alegrias minhas alegrias.
Nessa atmosfera de sonhos eu me encontro confusa, sabes que minhas palavras são sinceras e toda essa poesia reveladora. E teus olhos, teus pequenos olhos que me revelam um encanto alegremente maduro, estes que jamais encontrei em alguém. Sabes que meus dias cansados e tristes mostram minha necessidade de estar perto. Sabe que me fazes um bem incomparável, e cada canto, cada esquina esconde um segredo. E o mar. Essa imensidão toda não é capaz de me assustar e nada me impede de falar: Ah Como eu gosto de você!



Raíssa Noronha



terça-feira, 14 de abril de 2009

Incógnita


Silêncio.

É que eu te amo
Se eu pudesse explicar o que tem atrás dessas palavras
Consoante... Vogal...
Semântica, a gramática não explica.
Os cientistas também não explicam então o que explica?
Que mistério você esconde?
Pra me tirar da cama tão cedo esboçando o mais bobo sorriso
Pra me fazer voar como uma borboleta
Pra transformar minha noite escura
Numa aurora eterna...
De explorar tudo de mais lindo que há
Em mim que nem eu mesma conhecia.
Se a tristeza bater, busco-lhe o riso,
A piada, a alegria, trago-lhe o circo
Se o medo bater, trago-lhe a coragem,
A proteção, meu escudo chamado ‘amor’
Se houver dias nublados, te darei o sol,
Meu calor... terias sempre o meu abraço
Se houver escuridão, buscarei estrela por estrela
Até iluminá-la por completo
Se houver silêncio, canto-lhe uma canção,
Trago-lhe a música, a poesia,
O verso, os sons do meu coração.
E se houver vazio...

... Então te darei o mundo!



[Entrego-lhe a melhor parte de mim]







Raíssa Noronha.


- está escutando isso?
- sim amor, é seu coração
- não... este agora é só teu!

domingo, 12 de abril de 2009

*
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"[É noite clara, repleta de lucidez. Amanheci pintando de amar-elo essas paredes. Desabrocham em vermelho, rosas. Girassóis. Porque ainda ontem escutei e hoje se faz eco: "solidão é campo vasto que não se deve atravessar sozinho". Hoje eu só quero caminhar contigo.]"


Elenita Rodrigues
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Fuga


Envolver meus poemas numa lágrima,uma lástima,

ou simples paranóia

sentir a fulgura na escuridão, a lua some,

leva-me com ela, a lua.

De um sentimento roubado

um coração dilacerado, só uma lágrima

me sufoca, eu, ofegante

caída ao chão

sussurram aos meus ouvidos

um grito sucumbido, tirem-me daqui

minha alma adormece

diga aos anjos que já estou pronta

apenas, levem-me daqui

e quando é noite

a solidão me assola.

uma busca além do horizonte. Desespero.


Raíssa Noronha

quinta-feira, 9 de abril de 2009



Amar é a fórmula da variável que existe em nós...é atravessar o mar à braçadas, é viajar no inimaginável, é abrir mão de nós mesmos
Amar é inconstante...quando controverso doe como se virassem tua coluna ao meio, triturassem cada parte de teu corpo e ainda sim não bastasse
Nós somos tolos, dedicamos os mais lindos momentos de nossa vida para plantar aquele jardim que logo irar murchar.
Amar é ultrapassar barreiras,
É um novo viver
É ter em teu quadro branco as cores mais vivas combinadas com toque de paixão
Amar é não pensar em mais nada.
Amar faz parte de mim
Amar nem sempre é sorrir, mais concerteza amar é aprender ... é se jogar do alto de um prédio pensando que pode voar
É enxergar a lua sorrindo pra ti
É tocar o céu
É ver tudo se acabar, e ainda conseguir sorrir
Amar é sofrer, é tudo e NADA.
AMAR? Talvez eu não queira conhecer mais esta palavra... é minha pior tortura.


Raíssa Noronha


Menino e o sol


Diálogo

-- Avistei o senhor de longe, sabe... chegou trazendo-me alegria e coragem
-- Mas de onde eu vinha?
-- Do outro lado senhor! Só te enxergo uma parte do dia, minha mãe diz que o senhor não tem tempo para estar comigo o dia todo... sinto sua falta...sinto frio... é com teu calor que eu acordo todos os dias. O vi saindo daquela imensidão, cheia de água que não tem fim. Foi esplendoroso!
-- Aquilo é o mar, meu menino
-- pois é! Quando te vejo crescendo em cima daquele punhado de água, lágrimas escorrem sobre minha face e eu perco os sentidos, é tão lindo! Senhor como se faz pra brilhar assim?
-- Ah meu pequeno, esse brilho já vem de mim, sirvo para dar a luz e calor a todos, acordo sorrindo, às veses to de mal humor e eu me escondo atrás das nuvens cheias de água.
-- e por que vai sempre embora? Por que me deixas aqui e para de me iluminar...?
-- Para que busque a luz em si, Para acordar feliz e iluminar todos à sua volta, a noite ensina e esclarece o que o dia escondeu. (Para que cresças meu menino)



Raíssa Noronha

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Estou aqui




Sabe aquela menina...
Triste, lacrimosa, desesperada, perdida
Sim ela, encontrei-a por ai vagando entre os bosques, desiludida
Procurando a saída, não crê que sempre haverá outro caminho
Não enxergas que estou ao seu lado
Perdida no tempo na infinidade de seus híbridos pensamentos
Ela que vive a catar estrelas, e colar no teto de seu quarto, iludida, coitada.
Pensas que estas iluminarão sua vida.
Pensas que esta sozinha no mundo
Não percebes que vivo por ti
Não acredita em minhas vagas palavras
Não sente que meu abraço abrange tudo o que sinto
Ah, não minha menina! Não fuja!
Encare a todos, encare a si mesma
Eu deixarei pistas no caminho
Por onde você deve trilhar
E estas que te guiarão pelo resto
De sua vida, e não te deixará esquecer
Que ainda estou aqui e vivo por você.


Raíssa Noronha
*

*